Preço do arroz sobe em abril, mas excesso de oferta no Brasil eleva risco de queda no curto prazo

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Mercado de arroz enfrenta baixa liquidez e pouca referência de preços

O mercado brasileiro de arroz segue com negociações limitadas e baixa liquidez, mesmo diante de uma leve alta nos preços ao longo de abril. Na prática, o setor opera com valores ofertados, mas com poucos negócios efetivamente realizados, o que dificulta a formação de preços consistentes.

Segundo análise da consultoria Safras & Mercado, o cenário atual é caracterizado por ausência de fluxo relevante, refletindo um ambiente de cautela tanto por parte dos produtores quanto da indústria.

Preços do arroz variam por região, com suporte pontual da qualidade

No principal polo produtor do país, o Rio Grande do Sul, os preços do arroz em casca giram entre R$ 60 e R$ 64 por saca de 50 quilos na região da Fronteira Oeste. Lotes de melhor qualidade alcançam entre R$ 65 e R$ 68 em negociações pontuais.

Em Santa Catarina, os valores variam de R$ 55 a R$ 60 por saca, refletindo diferenças regionais de qualidade e demanda.

Apesar da sustentação parcial, o mercado ainda carece de consistência nas negociações, o que limita movimentos mais firmes de alta.

Colheita avançada amplia oferta e pressiona o mercado

A evolução da colheita tem sido um dos principais fatores de pressão sobre o mercado. De acordo com dados da Conab, o Brasil já colheu 88,3% da área plantada, percentual superior ao registrado no mesmo período do ano passado e acima da média histórica.

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A produtividade elevada e a boa qualidade dos grãos — com índices superiores a 65% de inteiros e picos de até 70% em algumas regiões — reforçam o cenário de ampla oferta.

No entanto, o avanço da safra também expõe gargalos logísticos, como filas em armazéns e indústrias, que limitam o recebimento e contribuem para a lentidão nas negociações.

Comportamento dos agentes trava o fluxo de negócios

A dinâmica entre produtores e indústria tem contribuído para a paralisação do mercado. Produtores de maior porte optam por reter estoques, apostando em melhores preços no futuro, enquanto pequenos produtores acabam vendendo por necessidade de caixa.

Do lado da indústria, as compras seguem restritas ao necessário, diante de margens apertadas e dificuldade de repasse de preços ao varejo.

Além disso, a atuação de pequenas cerealistas com políticas comerciais mais agressivas aumenta a desorganização do mercado, ampliando a pressão sobre os preços.

Cenário externo limita escoamento e aumenta pressão interna

No mercado internacional, as exportações brasileiras de arroz seguem em ritmo lento e não têm sido suficientes para equilibrar a oferta interna.

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O câmbio abaixo de R$ 5,00 reduz a competitividade do produto brasileiro no exterior, enquanto o aumento das importações intensifica a pressão sobre o mercado doméstico.

Indicadores de preços apontam tendência de instabilidade

A média da saca de 50 quilos de arroz no Rio Grande do Sul (58% a 62% de grãos inteiros, pagamento à vista) foi cotada a R$ 63,58 em 29 de abril, registrando queda de 1,05% na comparação semanal.

Apesar disso, no comparativo mensal ainda há alta de 2,56%. Já em relação ao mesmo período de 2025, o mercado acumula desvalorização de 17,52%, evidenciando um cenário estrutural mais pressionado.

Perspectivas: risco de correção no curto prazo

Com a oferta elevada, exportações fracas e demanda interna cautelosa, o mercado de arroz no Brasil segue com viés de pressão no curto prazo.

A sustentação dos preços dependerá principalmente de:

  • melhora no ritmo das exportações
  • ajustes na oferta interna
  • recuperação da demanda

Até lá, o setor deve continuar operando com baixa liquidez e elevada sensibilidade a fatores logísticos e cambiais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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