Marina Silva e João Paulo Capobianco destacam avanços da agenda ministerial durante gestão no MMA

publicidade

Discurso da Ministra Marina Silva:


“Boa tarde.

Quando reassumimos o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, em janeiro de 2023, eu disse ao Presidente Lula, no meu discurso de posse, que eu ia trabalhar não apenas para dizer o que não pode, mas para ajudar a criar o como pode. Essa frase sintetiza o espírito de tudo que fizemos.

Esta coletiva marca uma passagem de função dentro da mesma agenda e da mesma gestão. O próprio anúncio oficial do Ministério define este momento como o início de um novo ciclo da pasta com João Paulo Ribeiro Capobianco à frente, garantindo a continuidade das políticas adotadas no Governo do Presidente Lula nos últimos anos. Capobianco colaborou com a execução dessa agenda como secretário-executivo e, há poucos dias, presidiu com êxito a COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, em Campo Grande, representando o Brasil perante a comunidade internacional. Isso é importante porque a política ambiental não pode depender de improvisos, nem de personalismo. Ela precisa de direção, método e continuidade.

Quando chegamos, em janeiro de 2023, encontramos uma estrutura que precisava ser reconstruída em sua capacidade política, ética, técnica, administrativa e operacional. Ao longo desse período, recompusemos o Estado ambiental brasileiro com a incorporação de mais de 1.557 servidores ao sistema MMA, distribuídos entre Ibama, ICMBio e Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Também elevamos o orçamento anual do Ministério em 120% na comparação entre 2022 e 2025, de R$ 865 milhões para R$ 1,9 bilhão. Reconstrução institucional significa gente, orçamento, governança e capacidade de execução.

Essa reconstrução foi guiada por quatro diretrizes que venho defendendo há mais de duas décadas e que voltaram a organizar a ação do Estado na política ambiental:

1) Controle e participação social; 

2) Fortalecimento do Sistema Nacional do Meio Ambiente; 

3) Desenvolvimento sustentável; e 

4) Política ambiental transversal. 

A política ambiental precisa deixar de ser uma política setorial – ela tem que ser uma política transversal porque meio ambiente está na base de tudo. E essas diretrizes são o método que permitiu transformar orientação política em resultados concretos.

No desenvolvimento sustentável, os resultados mais visíveis estão no território. Em 2025, na comparação com 2022, o desmatamento caiu 50% na Amazônia e 32,3% no Cerrado, evitando a emissão de 733,9 milhões de toneladas de CO equivalente. No ciclo mais recente de alertas, de agosto de 2025 a fevereiro de 2026, houve uma nova redução de 33% na Amazônia e de 7% no Cerrado – se continuarmos nesse ritmo, mesmo neste período tão desafiador, temos a perspectiva de alcançar a menor taxa da série histórica. Isso é um feito conjunto do Ibama e do ICMBio com a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Força Nacional e a Abin.

Esses resultados não aconteceram sozinhos. Implementamos os Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento nos seis biomas e retomamos a Comissão Interministerial Permanente de Prevenção e Controle do Desmatamento. As ações de fiscalização do Ibama na Amazônia cresceram 80% e as do ICMBio, 24%, na comparação com 2022. As áreas embargadas na Amazônia aumentaram 51% pela atuação do Ibama e 44% pela do ICMBio. A área de mineração ilegal na Amazônia foi reduzida em 50%. Foram investidos R$ 826 milhões do Fundo Amazônia para fortalecer a capacidade de fiscalização do Ibama.

No ordenamento fundiário, 12,4 milhões de hectares de glebas públicas federais foram submetidos à Câmara de Destinação e Regularização Fundiária. E realizamos operações de desintrusão em oito Terras Indígenas e atuação no combate a ilícitos ambientais em outras 103 Terras Indígenas, com destaque para as Terras Indígenas Yanomami, Kayapó, Sararé, Munduruku, Apyterewa e Vale do Javari.

O Programa União com Municípios consolidou uma nova etapa de territorialização do combate ao desmatamento: 70 dos 81 municípios prioritários aderiram ao programa, com investimento total de R$ 815 milhões – R$ 600 milhões do Fundo Amazônia, R$ 185 milhões do Projeto Floresta+ Amazônia e R$ 30 milhões do Fundo de Direitos Difusos. Ontem, assinamos contratos de R$ 130 milhões para regularização fundiária, ambiental e assistência técnica que atenderão mais de 7 mil agricultores familiares em 48 municípios amazônicos. O programa também já entregou mais de 2 mil itens para fiscalização e capacitou mais de 500 técnicos municipais.

No combate aos incêndios, em 2025, a área queimada no Brasil caiu 39% em relação à média dos últimos oito anos, com reduções de 91% no Pantanal, 75% na Amazônia e 7% no Cerrado. Todas as tragédias evitadas não têm como ser contabilizadas – a gente só olha para aquelas que, infelizmente, não foram evitadas. Mas esses números refletem um esforço concreto e sem precedentes. Fizemos a contratação inédita de 4.358 brigadistas em 2025, com um aumento de 25% em relação ao ano anterior. O Ibama e o ICMBio mobilizaram 4 aeronaves, 6 helicópteros, 633 embarcações e 2,6 mil veículos operacionais. Foram investidos R$ 585 milhões em prevenção e combate a incêndios na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal, repassados a Estados e Municípios. No campo regulatório, instituímos a Política Nacional do Manejo Integrado do Fogo e elaboramos os Planos de Prevenção e Combate a Incêndios dos biomas Pantanal e Amazônia.

No financiamento climático, houve mudança de escala e no próprio paradigma, com o MMA trabalhando em conjunto com o Ministério da Fazenda. O núcleo mais consolidado – o Fundo Clima e o Eco Invest – mobilizou R$ 179 bilhões desde 2023. Só o Fundo Clima, que saiu de uma média anual de R$ 400 milhões até 2022, mobilizou R$ 52,4 bilhões desde 2023 e R$ 34,6 bilhões apenas em 2025. A esses se somam o Fundo Amazônia, a Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que já conta com algo em torno de R$ 350 bilhões, a depender do câmbio, mobilizados para a transição ecológica – motor para viabilizarmos um novo ciclo de prosperidade que combina conservação e desenvolvimento sustentável.

Leia Também:  Dólar e Ibovespa iniciam semana de olho em indicadores econômicos e risco fiscal nos EUA

Retomamos o protagonismo do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) e da Comissão Tripartite. No licenciamento ambiental federal, o Ibama alcançou 850 licenças em 2025, alta de 51% em relação a 2024 e o maior patamar da última década, com 67 empreendimentos licenciados no âmbito do Novo PAC, acompanhamento de 19 mil km de linhas de transmissão, 9,7 mil km de rodovias e 10,5 mil km de ferrovias. Na compensação ambiental, foram aprovados R$ 446 milhões para novas aplicações em Unidades de Conservação, com R$ 354 milhões executados em três anos – o que representa 54% de tudo que foi executado desde 2002. Ao mesmo tempo, o Ministério alcançou nota máxima – Nível 3 Pleno – na avaliação de integridade pública segundo a CGU. A diferença é feita quando se tem políticas públicas bem formuladas e instituições públicas bem desenhadas e adequadamente estruturadas.

Na participação social, recolocamos a sociedade no centro da formulação e da implementação das políticas públicas. A 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente mobilizou mais de 1,2 milhão de pessoas em 2.729 municípios e consolidou 104 propostas aprovadas pela sociedade civil. A 6ª Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente mobilizou mais de 2,2 milhões de crianças e jovens e alcançou 8.732 escolas em 2.307 municípios. No PPA Participativo, mais de 58 programas têm relação com a agenda ambiental, e o programa “Enfrentamento da Emergência Climática” foi o mais votado, com 20.534 votos. E, na governança climática, restauramos o Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima, que opera com 23 ministérios e órgãos, presidido pela Casa Civil e com secretaria executiva do MMA.

Só somos uma potência agrícola, porque somos uma potência hídrica, e só somos uma potência hídrica porque somos uma potência florestal. Esse entendimento orientou nossa ação na sociobioeconomia. Em 2023, criamos a Secretaria Nacional de Bioeconomia — uma inovação institucional sem precedentes, que só se viabilizou porque o Presidente Lula acolheu a proposta. Em 2024, instituímos a Estratégia Nacional de Bioeconomia e a Comissão Nacional de Bioeconomia, com 34 membros – 17 do governo e 17 da sociedade civil, incluindo povos indígenas, comunidades tradicionais, academia e setor privado. E hoje lançamos o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia – o PNDBio –, estruturado em quatro frentes: bioindústria e biomanufatura, biomassa, ecossistemas terrestres e aquáticos e sociobioeconomia, com 8 missões, 21 metas e 185 ações estratégicas.

Também anunciamos hoje R$ 350 milhões do Fundo Amazônia para sociobioeconomia e inovação, beneficiando mais de 60 cooperativas e 5 mil famílias. O Prospera Sociobio já mobiliza R$ 120 milhões e beneficia diretamente quase 30 mil pessoas, com iniciativas como o pagamento por serviços ambientais do pirarucu e a certificação de produtos extrativistas como orgânicos. Hoje 81.393 famílias são beneficiadas pelo Bolsa Verde, com mais de R$ 315 milhões transferidos. A gente só vai zerar o desmatamento se a gente tiver instrumentos econômicos adequados para que a floresta protegida seja mais rentável do que a floresta destruída.

No campo da emergência climática, o Brasil voltou a planejar com ambição e base institucional. A nova NDC, entregue em Baku durante a COP29, estabeleceu uma meta de redução de 59% a 67% das emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035, em relação a 2005. O Plano Clima passou a orientar a política climática brasileira até 2035, com 8 planos de mitigação, 16 planos de adaptação e 5 estratégias transversais para ação climática. O AdaptaCidades lançou estratégia para 581 cidades, alcançando mais de 50 milhões de pessoas. Ainda em 2024, o país aprovou e submeteu à ONU seu Primeiro Relatório Nacional Bienal de Transparência.

Na COP30, o Brasil assumiu a liderança pelo exemplo. O Pacote de Belém reuniu 29 decisões aprovadas por consenso, incluindo avanços em transição justa, financiamento da adaptação, comércio, gênero e tecnologia. O Roteiro Baku–Belém definiu a missão de US$ 1,3 trilhão para financiamento climático. O Balanço Ético Global – iniciativa liderada pelo Presidente Lula e pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres – mobilizou 128 lideranças nos seis continentes e atores sociais em 49 países. E o Fundo Florestas Tropicais para Sempre recebeu anúncios de US$ 6,7 bilhões e já tem o endosso de 63 países.

Na conservação, restauração e qualidade ambiental, as entregas foram estruturantes. Foram criadas e ampliadas 19 Unidades de Conservação federais, somando mais de 1,7 milhão de hectares, incluindo o Parque Nacional do Albardão, com cerca de 1 milhão de hectares – a maior unidade de conservação fora da Amazônia. Com isso, 21% do território terrestre e marinho brasileiro está protegido por Unidades de Conservação. Foram destinados US$ 321,4 milhões de fontes internacionais para UCs, e o Programa ARPA Comunidade, que foi ampliado com previsão de US$ 120 milhões para beneficiar 130 mil pessoas em 60 UCs de uso sustentável na Amazônia.

Na restauração, o Brasil alcançou 3,4 milhões de hectares em processo de recuperação da vegetação nativa, rumo à meta de 12 milhões de hectares do Planaveg. O Fundo Ambiental do TAC Rio Doce foi estruturado com R$ 8,13 bilhões ao longo de 19 anos. O Restaura Amazônia, do BNDES, destinou R$ 450 milhões para projetos de restauração ecológica em sete Estados. E foram lançadas as primeiras Cotas de Reserva Ambiental do Brasil – um instrumento inédito e inovador.

Leia Também:  Brasil supera exportações de milho de janeiro de 2025 uma semana antes do fim do mês

Na gestão florestal, 301 mil hectares de Florestas Públicas foram concedidos desde 2023, totalizando 1,58 milhão de hectares, incluindo a Floresta Nacional do Jatuarana, no Amazonas, a maior concessão florestal da história, com 450 mil hectares. Na semana passada, realizamos na B3 o primeiro leilão de concessão federal voltado à conservação e restauração florestal com geração de créditos de carbono: a Flona do Bom Futuro, em Rondônia, com cerca de 90 mil hectares, investimento previsto de R$ 87 milhões e contrato de 40 anos, incluindo a participação do povo indígena Karitiana na cadeia produtiva de sementes e mudas nativas. É um modelo inédito no país, que transforma a restauração florestal em atividade econômica. Foi realizado um inventário florestal em 600 milhões de hectares.

Na biodiversidade, lançamos a Estratégia e Planos de Ação para a Biodiversidade (EPANB). E na COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, que o Brasil realizou em Campo Grande, foi aprovada a ampliação da proteção de 40 novas espécies, além de medidas anunciadas pelo Presidente Lula que ampliaram a proteção em mais de 148 mil hectares no Pantanal e no Cerrado.

Na agenda urbana e de qualidade ambiental, o país chegou a 570 estações de monitoramento da qualidade do ar, 44% mais do que em 2022. Na gestão de resíduos, regulamentamos a Logística Reversa de Embalagens de Plástico e o Módulo de Coleta Seletiva Cidadã, avançando a meta de reciclagem de 22% para 32%. A Lei de Incentivo à Reciclagem aprovou R$ 665 milhões para captação de investimentos em 303 projetos – colaborando diretamente com catadoras e catadores.

Na proteção e nos direitos animais, o SinPatinhas superou 1 milhão de animais cadastrados. Durante a Semana dos Animais, lançamos o Programa Nacional de Manejo Populacional Ético de Cães e Gatos e instituímos a Conferência Nacional de Direitos Animais. O Decreto Justiça por Orelha multiplicou as multas por maus-tratos a animais – que estavam congeladas desde 2008 entre R$ 500 e R$ 3 mil – para R$ 1.500 a R$ 50 mil, podendo chegar a R$ 1 milhão com agravantes. E sancionamos a Lei 15.355/2026, que cria a Política de Acolhimento e Manejo de Animais Resgatados (Amar), integrando a proteção animal aos planos de contingência da Defesa Civil.

Esses resultados ambientais se inserem em um governo que voltou a reconstruir as capacidades estatais e a produzir resultados sociais e econômicos objetivos. O desmatamento caiu e o agronegócio continuou crescendo – foram 525 novos mercados abertos para a agricultura brasileira desde 2023, exportações de US$ 169,2 bilhões em 2025 e o acordo Mercosul–União Europeia fechado. A taxa anual de desocupação foi de 5,6% em 2025 – a menor da série iniciada em 2012 – e o Brasil saiu do Mapa da Fome segundo o critério técnico da FAO/ONU. Políticas públicas consistentes, bem desenhadas e implementadas dão bons resultados.

Eu encaro a ação política como serviço. Quando as pessoas me perguntam se eu sou otimista ou pessimista, eu sempre digo que não sou nem pessimista nem otimista. O que nós temos que ser é persistente. A gente caminhou e só caminhou porque somos todos anjos com uma só asa e a gente só consegue voar quando estamos abraçados. A imagem muda quando a realidade muda. E a realidade mudou.

Agradeço ao Presidente Lula pela confiança nesta terceira gestão. Agradeço ao amigo, companheiro de muitas jornadas, João Paulo Capobianco, às secretárias e secretários, às servidoras e servidores que resistiram no período mais difícil e que se engajaram na reconstrução do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Agradeço também aos servidores e servidoras do Ibama, do ICMBio, do Serviço Florestal Brasileiro e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Agradeço aos parceiros – organismos internacionais, sociedade civil, setor produtivo, setor público, membros de comitês e conselhos – que confiaram nessa agenda e dedicaram tempo e recursos.

Agradeço também à imprensa que cobre esta pauta com seriedade e compromisso com os fatos. O combate à desinformação é tão importante quanto o combate à emergência climática – e o jornalismo que investiga, contextualiza e informa com rigor é parte indispensável dessa luta. Sem informação de qualidade, não há participação social informada, não há cobrança legítima e não há democracia ambiental.

Agradeço à Casa Civil, à Secretaria-Geral da Presidência, à Secretaria de Relações Institucionais, ao Ministério da Fazenda, ao Ministério do Planejamento e Orçamento, ao Ministério da Gestão e Inovação, ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, ao Itamaraty e à Secom – e, por meio deles, a toda a Esplanada –, que compreenderam que a agenda ambiental não é agenda de um ministério, é agenda de governo. 

E desejo ao João Paulo Capobianco que continue com a mesma persistência e insistência nesta fase de consolidação e evolução das políticas ambientais. Não é só dizer o que não pode – é estabelecer o como pode, mas o como pode da forma certa.”

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
[email protected]
(61) 2028-1227/1051

Acesse o Flickr do MMA  

Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade