O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Coordenação-Geral de Ciência do Clima, e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), iniciaram na terça-feira (14), em Brasília (DF), a avaliação e monitoramento de projetos de pesquisa sobre mudança do clima. Ao longo de três dias, coordenadores de 30 dos 68 projetos selecionados por meio do edital 59/2022, apresentarão informações sobre os avanços e resultados alcançados.
O seminário concentra os projetos envolvendo meteorologia e projeções. Os dados são avaliados por um comitê científico formado por três renomados pesquisadores na área de mudança do clima. Os demais 38 projetos serão avaliados em outro seminário.
A chamada investiu R$ 50 milhões de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) no desenvolvimento de projetos voltados à produção de conhecimento para soluções e tecnologias associadas à mitigação e adaptação à mudança do clima. O edital contemplou cinco linhas de pesquisa envolvendo modelagem do sistema climático global, impactos, vulnerabilidade e adaptação, e monitoramento e previsão de desastres; desenvolvimento em tecnologias para redução de emissões de gases de efeito estufa; conscientização e aumento da difusão do conhecimento; simulações econômicas para crescimento verde e projetos de grupos de pesquisa emergentes.
Segundo o coordenador de Mudanças Ambientais Globais do MCTI, Antonio Marcos Mendonça, os resultados apresentados têm colaborado para avançar na fronteira do conhecimento sobre diferentes aspectos da agenda climática, considerando a realidade nacional, e alguns dos resultados têm potencial para serem utilizados em plataformas, como o AdaptaBrasil, e relacionados a emissões de gases de efeito estufa. Um dos trabalhos, por exemplo, abordou o índice de vulnerabilidade costeira, com produção de dados que podem ser relevantes para as questões de adaptação no país.
Previsto em edital, o seminário é um mecanismo para acompanhamento dos avanços e desafios encontrados durante a execução dos projetos. Conforme a coordenadora dos Programas de Pesquisa em Ciências Ambientais e do Mar do CNPq, Margareth Carvalho, além de obter o retorno dos pesquisadores, o momento permite que o comitê científico avalie consistência e coerência entre o projeto apresentado e os resultados alcançados. “A gente precisa entender se o que foi previsto e o que foi avaliado pelo comitê faz sentido, porque haverá outras chamadas pela frente”, afirma Carvalho sobre a importância das reuniões de acompanhamento.
Em maio de 2025, o conselho diretor do FNDCT aprovou o programa SOS Clima Brasil, voltado ao monitoramento e enfrentamento da mudança do clima. O MCTI e o CNPq são responsáveis pela elaboração dos editais que contemple as demandas. Nesse sentido, o seminário também apresenta subsídios que ajudam a pensar as próximas chamadas.
Integração de pesquisadores
O pesquisador do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP), Tércio Ambrizzi, integra o comitê científico de avaliação dos projetos. Ele destacou como o seminário é um ambiente que fomenta a integração dos diferentes grupos de pesquisa, especialmente na área climática, que é transversal com forte característica inter e multidisciplinar. “Temos uma oportunidade única de discutir o que está sendo desenvolvido e formar sinergias”, expressou.
Ambrizzi afirmou que os resultados apresentados no primeiro dia do seminário sinalizam como a ciência tem evoluído e a capacidade de resiliência dos pesquisadores diante de dificuldades. Sobre uma das linhas do edital ter sido direcionada a grupos emergentes, o pesquisador disse que esse tipo de ação é fundamental para apoiar as novas gerações e que os resultados observados até o momento revelam produção de ciência de qualidade. Ele ainda defendeu a continuidade de chamadas para pesquisa, desenvolvimento e inovação. Além de ser uma discussão atual, o fomento à pesquisa na área climática beneficia a sociedade brasileira e tem impacto global.































