“Turismo em Ação”: Cases da Ilha do Combu e da Bahia mostram como gerar renda e proteger a floresta

Imagem: Henrique Huff/MTur

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Na Green Zone da COP30, em Belém, o auditório lotado aguardava o início do painel “Turismo em ação: casos de sucesso no combate às mudanças climáticas”. Pedro da Cunha, diretor de Áreas Protegidas do MMA, quebrou o gelo lembrando um ponto simples e decisivo: proteger 30% do território só é possível com o apoio de, pelo menos, 30% da sociedade. Para ele, o turismo de natureza, quando bem planejado, transforma visitação em conservação, recreação em pertencimento e voto em política pública. É com esse foco que o Governo do Brasil, com Ministério do Turismo e Meio-ambiente: alinhar regras, estimular boas práticas e garantir que a experiência do visitante fortaleça, e não fragilize, as áreas protegidas.

A primeira história veio da Ilha do Combu. Ana de Sá contou como o Espaço Aruna nasceu, em 2017, para ser um lugar de encontro entre pessoas, marcas, floresta e comunidade ribeirinha. Bioconstrução, imersões do açaí, eventos corporativos de baixo impacto e um princípio inegociável: a Área de Proteção Ambiental (APA) pede responsabilidade. O Aruna fechou as portas para a madrugada, trocou a lógica de festa pela de reconexão e ajudou a articular o Comitê de Turismo Sustentável do Combu. O indicador que Ana mais gosta não está em planilhas: é ver os vizinhos continuarem no território, com renda digna e orgulho de origem. “Mudança climática é, também, crise de desconexão”, resume. O recém-aprovado plano gestor da APA é um avanço; o próximo passo é garantir o plano de manejo, com diálogo real com a comunidade.

De Manaus a Belém, Matheus Andrade trouxe a visão do chão de fábrica dos hostels. A Rede Local nasceu pequena, mas com uma ideia insistente: causar microrevoluções. Se o turismo responde por uma fatia relevante das emissões, cada detalhe importa. Por isso, filtros de água substituíram garrafas plásticas, a compra prioriza o produtor local, a eficiência energética virou regra e o desenho dos espaços reduz o carbono incorporado. Matheus aprendeu a dizer “não” a comodidades que viram lixo e a explicar por que o preço justo sustenta cadeias justas. A rede agora prepara o Ribeirinho Office, postos de trabalho remotos com internet via satélite, para que gente das comunidades possa atender reservas sem sair de casa. O combate à crise climática, para ele, começa com escolhas cotidianas que viram exemplo para hóspedes e vizinhos.

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Do sul da Bahia veio uma história de 26 anos. Juari Braz Bomfim falou da Reserva da Jaqueira, 827 hectares protegidos por brigadas indígenas, plano de gestão e uma governança que coloca identidade e meio ambiente antes do turismo. A etnovivência recebe milhares de visitantes por ano, mas quem dita o ritmo são as tradições: festival Araguaí, casamento tradicional, artesanato, formação de jovens. Hoje, 17 aldeias Pataxó desenvolvem atividades turísticas em Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália e Prado. A regra é clara: território é sagrado; latinha e garrafa ficam do lado de fora. Autonomia é o antídoto contra a exploração e o caminho para que a renda circule onde precisa.

Na plateia, um professor de energias renováveis propôs um gesto concreto: calcular os quilômetros voados e plantar árvores suficientes para compensar as emissões. A sugestão encontrou eco imediato, afinal, muitas das iniciativas apresentadas já combinam educação ambiental com plantio e manejo.

Ao final, Pedro costurou as ideias. O Brasil precisa escalar o que já funciona, sem perder a alma dos territórios. Isso pede três movimentos combinados: gestão compartilhada com dados de visitação para guiar investimentos; redes de aprendizagem contínua entre governos, empreendedores e comunidades; e comunicação honesta com o visitante, para que ele entenda o valor do turismo responsável e recuse o barato que sai caro para a natureza e para as pessoas.

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Na saída, ficou a sensação de que o combate às mudanças climáticas não mora em promessas distantes, mas em escolhas repetidas todos os dias: a decisão de uma ilha que regula seus horários, de um hostel que troca a Pringles pela bananinha chips da feira, de um povo que mantém a floresta em pé. É assim, em pequenas e persistentes revoluções, que o turismo vira ação.

PROGRAMAÇÃO – O estande do Ministério do Turismo terá uma programação robusta e estratégica ao longo das duas semanas da COP30. No Auditório Carimbó, especialistas nacionais e internacionais participarão de debates de alto nível sobre turismo regenerativo, financiamento climático, justiça ambiental e a valorização de comunidades tradicionais, promovendo reflexões essenciais para o futuro do setor. Além da agenda de painéis, o MTur aproveitará o espaço para lançar produtos fundamentais voltados à adaptação climática do turismo, entre eles a Trilha Amazônia Atlântica, o Mapeamento do Turismo em Comunidades Indígenas, a série “Pelos Rios da Amazônia” e o Plano de Adaptação Climática do Turismo Brasileiro, reforçando o compromisso do Brasil com inovação e sustentabilidade.

Por Cíntia Luna
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo

Fonte: Ministério do Turismo

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